Centro Clínico de Almancil
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Impacto do estilo de vida na doença oncológica

7 de Janeiro de 2020

Impacto do estilo de vida na doença oncológica

O estilo de vida está relacionado com 30 a 50% de todos os tipos de cancro, havendo comportamentos que cada um pode modificar para diminuir o risco de desenvolver a doença, como explica à behealthy a Oncologista Raquel Dionísio
Impacto do estilo de vida na doença oncológica

Com o aumento da incidência de cancro em 3 a 4% por ano em Portugal e, consequentemente, o número de novos casos, há uma crescente preocupação com os possíveis fatores de risco relacionados. Nesse sentido, tem-se observado, igualmente, um aumento de estudos direcionados para apurar possíveis associações de forma a poder-se atuar mais ativamente na prevenção e na redução da mortalidade entre os doentes já diagnosticados. No entanto, existe necessidade urgente de um maior investimento neste tipo de estudos. Vários fatores de risco já se encontram bem definidos, como o estilo de vida e a predisposição genética, sendo este último responsável por somente 10% do número total de casos. Felizmente, o estilo de vida, relacionado com 30 a 50% de todos os tipos de cancro, é um fator de risco passível de ser modificado por cada um de nós. Entre os comportamentos passíveis de influenciar um estilo de vida saudável, pode destacar-se o tabagismo, o peso e Índice de Massa Corporal (IMC), a dieta, a atividade física e o estado emocional. Estudos observacionais demonstram uma associação entre sobrepeso, obesidade e inatividade física com um maior risco em desenvolver uma doença oncológica e um pior prognóstico entre doentes já diagnosticados. Nesse sentido, a dieta e a atividade física ganham papéis com uma importância fundamental. Também as características da dieta adotada já têm sido alvo de estudos observacionais com algumas conclusões generalistas, principalmente, na área do cancro colorretal, cancro da mama e cancro da próstata. Existe associação com a incidência destes tipos de cancro e, de uma forma menos consistente, com a mortalidade entre os doentes já diagnosticados. Dados que vêm novamente reforçar o papel central de se atuar na prevenção com alterações sustentadas no nosso estilo de vida. Reforço uma atividade física regular, preferencialmente, com a prática de exercício físico diário. Encorajar as crianças e adolescentes a adotar esta prática desde cedo limitando a atividade sedentária (sofá, cama, televisão e outros modos de entretenimento com ecrã). Adoção de uma dieta saudável com ênfase a uma dieta de base vegetal e com baixo teor em gorduras. Dar preferência ao consumo de leguminosas e cereais integrais. Manter um consumo diário de fruta no geral, com maior benefício nos citrinos e frutos vermelhos e de legumes, com reforço de vegetais crus, de folha verde escura e vegetais vermelhos e cor de laranja. Limitar o consumo de snacks e alimentos processados e com elevado teor de sal. Limitar igualmente o consumo de bebidas alcoólicas e refrigerantes. Evitar o consumo de carne vermelha, curada ou processada. O consumo destes alimentos está relacionado com um impacto negativo. Com a manutenção de uma alimentação saudável e equilibrada não está aconselhado o uso de suplementos dietéticos. Com a adoção de comportamentos diários saudáveis está-se a contribuir igualmente para uma melhoria dos parâmetros metabólicos com menor risco de desenvolvimento de comorbilidades como diabetes mellitus, dislipidemia (níveis anómalos de lípidos no sangue) e doença cardíaca. Um estilo de vida saudável representa um papel fundamental na redução da incidência de cancro, comorbilidades associadas e sobrevivência global.


Recomendações para a prevenção do cancro através da nutrição


  • Reduza o consumo de carnes vermelhas, prefira as carnes brancas (aves, coelho) e o peixe, sobretudo os peixes gordos (sardinha, cavala, salmão)
  • Não coma alimentos pré-confeccionados, pois contêm muito sal, e utilize ervas aromáticas e especiarias para temperar os pratos
  • Não reutilize as gorduras, prefira azeite e use pouca gordura na confeção de alimentos
  •  Aumente os produtos hortícolas e fruta nas suas refeições, sobretudo as hortaliças de cor verde escura (espinafres, couves, brócolos)
  • Inclua leguminosas na sua alimentação: os legumes de cor vermelha e roxa (tomate, beringela, beterraba) são ricos em licopeno
  • Tenha atenção à preparação dos alimentos, não consuma alimentos total ou parcialmente carbonizados
  • Aumente o consumo de fibra, através da ingestão de cereais integrais
  • Evite a ingestão de bebidas alcoólicas, prefira água


Fonte: Liga Portuguesa contra o Cancro

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